Tese é tecnologia

Piero Franceschi

Instituições como o Instituto de Tecnologia de Harbin passaram a permitir que doutorandos se formem não com uma dissertação tradicional, mas com tecnologias funcionais.

Sistemas, protótipos, soluções aplicadas. Coisas que funcionam fora do papel. Isso rompe com o modelo dominante no Ocidente.

Nos Estados Unidos e na Europa, o doutorado ainda é medido majoritariamente por papers, citações e impacto acadêmico. Na China, a régua começa a mudar: valor é aquilo que se aplica.

Nada disso é casual.

O país está investindo pesado em tecnologia crítica e precisa de gente capaz de transformar conhecimento em capacidade produtiva. Não basta entender. É preciso operar. Não basta explicar. É preciso construir.

Essa lógica altera o papel da universidade. Ela deixa de ser apenas um espaço de validação intelectual e passa a funcionar como extensão direta da estratégia nacional de inovação.

O doutorado, nesse contexto, não é o fim de uma jornada teórica. É o início de uma entrega concreta.

Isso não significa desprezar ciência básica. Significa encurtar o caminho entre descoberta e uso. Reduzir o tempo entre a ideia e o impacto real.

Enquanto boa parte do mundo ainda discute métricas acadêmicas, a China parece responder outra pergunta: para que, exatamente, estamos formando doutores?

Talvez o recado seja simples e desconfortável.
Num mundo em disputa tecnológica, conhecimento que não vira capacidade acaba ficando pelo caminho.

In LinkedIn – 10/01/2026