Cantigas de Roda

As cantigas de roda, também conhecidas como cirandas, fazem parte do folclore brasileiro. São canções populares que se adaptam e se redefinem ao longo do tempo. Estão relacionadas com as brincadeiras de roda e representam manifestações socioculturais. Os textos, anônimos, simples, se reptem ritmadamente, contribuindo para a aprendizagem infantil: favorecem a compreensão e fixação dos conteúdos, o desenvolvimento das habilidades comunicativas, o vivenciamento das noções motoras e espaciais, o equilíbrio das emoções, a criação de laços afetivos, a socialização e a interação.


barata Diz que Tem

A barata diz que tem sete saias de filó.
É mentira da barata, ela tem é uma só.
Ah, ra, ra, iá, ró, ró, ela tem é uma só!

A barata diz que tem um sapato de veludo.
É mentira da barata, o pé dela é peludo.
Ah, ra, ra, iu, ru, ru, o pé dela é peludo!

A barata diz que tem uma cama de marfim.
É mentira da barata, ela tem é de capim.
Ah, ra, ra, rim, rim, rim, ela tem é de capim!

A barata diz que tem um anel de formatura.
É mentira da barata, ela tem é casca dura.
Ah, ra, ra, iu, ru, ru, ela tem é casca dura!

A barata diz que vai viajar de avião.
É mentira da barata ela vai de caminhão.
Ah, ra, ra, iu, ru, ru, ela vai de caminhão!


A Canoa Virou

A canoa virou
Por deixá-la virar,
Foi por causa da Maria
Que não soube remar.

Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar,
Tirava a Maria
Do fundo do mar.

A canoa virou
Por deixá-la virar,
Porque, se eu mergulho,
Eu vou me molhar.

Se eu fosse um peixinho…
Mas como eu não sou.
Não posso nadar
E a canoa virou.


A Galinha do Vizinho

A galinha do vizinho
Bota ovo amarelinho.
Bota um, bota dois, bota três,
Bota quatro, bota cinco, bota seis,
Bota sete, bota oito, bota nove,
Bota dez!


A Rosa Amarela

Olha a rosa amarela, Rosa!
Tão formosa, tão bela, Rosa!
Olha a rosa amarela, Rosa!
Tão formosa, tão bela, Rosa!

Iá-iá meu lenço, ô Iá-iá!
Para me enxugar, ô Iá-iá!
Esta despedida, ô Iá-iá!
Já me fez chorar, ô Iá-iá!

Já me fez chorar, ô Iá-iá!


Ai, Eu Entrei na Roda!

Ai, eu entrei na roda!
Ai, eu não sei como se dança!
Ai, eu entrei na “rodadança”!
Ai, eu não sei dançar!

Sete e sete são quatorze, com mais sete, vinte e um.
Tenho sete namorados só posso casar com um.

Namorei um garotinho do colégio militar.
O diabo do garoto, só queria me beijar.

Todo mundo se admira da macaca fazer renda.
Eu já vi uma perua ser caixeira de uma venda.

Lá vai uma, lá vão duas, lá vão três pela terceira!
Lá se vai o meu benzinho, no vapor da cachoeira!

Essa noite tive um sonho que chupava picolé.
Acordei de madrugada, chupando dedo do pé.


Alecrim

Alecrim, alecrim dourado,
Que nasceu no campo
Sem ser semeado.
Alecrim, alecrim dourado,
Que nasceu no campo
Sem ser semeado.

Foi meu amor
Que me disse assim,
Que a flor do campo é o alecrim.
Foi meu amor
Que me disse assim,
Que a flor do campo é o alecrim.


Atirei o Pau no Gato

Atirei o pau no gato, tô!
Mas o gato, tô!
Não morreu, reu, reu!
Dona Chica, cá cá!
Admirou-se, se se!
Do berrô, do berrô, que o gato deu.

Miau!


Borboletinha

Borboletinha tá na cozinha
Fazendo chocolate
Para a madrinha.

Poti, poti!
Perna de pau,
Olho de vidro
E nariz de pica-pau, pau, pau!


Cai, Cai, Balão!

Cai, cai, balão! Cai, cai, balão!
Na rua do sabão.
Não cai, não! Não cai, não! Não cai, não!
Cai aqui na minha mão.

Cai, cai, balão! Cai, cai, balão!
Aqui na minha mão.
Não vou lá, não vou lá, não vou lá.
Tenho medo de apanhar!


Capelinha de Melão

Capelinha de melão
É de São João.
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.
São João está dormindo.
Não acorda, não!
Acordai, acordai,
Acordai, João!


Caranguejo

Caranguejo não é peixe,
Caranguejo peixe é.
Caranguejo não é peixe,
Na vazante da maré.
Palma! Palma! Palma!
Pé, pé, pé.
Caranguejo só é peixe, na vazante da maré!


Ciranda, Cirandinha

Ciranda, cirandinha,
Vamos todos cirandar.
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar.

O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou.

Por isso, dona (nome da criança),
Faz favor de entrar na roda!
Diga um verso bem bonito!
Diga adeus e vá embora!


Escravos de Jó

Escravos de Jó
Jogavam caxangá.
Tira, bota, deixa ficar.
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá.
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá.


Fui no Tororó

Fui no Tororó beber água. Não achei.
Achei linda morena,
Que no Tororó deixei.
Aproveita minha gente
Que uma noite não é nada.
Se não dormir agora,
Dormirá de madrugada.

Oh, Dona Maria!
Oh, Mariazinha, entra nesta roda!
Ou ficarás sozinha!

Sozinha eu não fico,
Nem hei de ficar.
Por que eu tenho o Pedro
Para ser o meu par.


Indiozinhos

Um, dois, três indiozinhos.
Quatro, cinco, seis indiozinhos.
Sete, oito, nove indiozinhos.
Dez, num pequeno bote,
Iam navegando pelo rio abaixo,
Quando um jacaré se aproximou
E o pequeno bote dos indiozinhos
Quase, quase virou.


Marcha, Soldado!

Marcha, soldado,
Cabeça de papel!
Se não marchar direito,
Vai preso pro quartel.

O quartel pegou fogo,
A polícia deu sinal.
Acorda, acorda, acorda,
A bandeira nacional!


Marinheiro Só

Oi, marinheiro, marinheiro!
Marinheiro só,
Quem te ensinou a navegar,
Marinheiro só,
Foi o balanço do navio,
Marinheiro só.
Foi o balanço do mar.
Marinheiro só.


Meu Boi Morreu

O meu boi morreu!
O que será de mim?
Mande buscar outro, oh morena,
Lá no Piauí!

O meu boi morreu!
O que será da vaca?
Pinga com limão, oh morena,
Cura urucubaca!


Meu Galinho

Há três noites que eu não durmo, o-lá-lá!
Pois perdi o meu galinho o-lá-lá!
Coitadinho, o-lá-lá!
Pobrezinho, o-lá-lá!
Eu perdi lá no jardim.

Ele é branco e amarelo, o-lá-lá!
Tem a crista vermelhinha, o-lá-lá!
Bate as asas, o-lá-lá!
Abre o bico, o-lá-lá!
Ele faz qui-ri-qui-qui!

Já rodei em Mato Grosso, o-lá-lá!
Amazonas e Pará, o-lá-lá!
Encontrei, o-lá-lá!
Meu galinho, o-lá-lá!
No sertão do Ceará.


Meu Limão, Meu Limoeiro

Meu limão, meu limoeiro!
Meu pé de jacarandá.
Uma vez, tindolelê!
Outra vez, tindolalá!


Mineira de Minas

Sou mineira de Minas,
Mineira de Minas Gerais.

Rebola, bola! Você diz que dá, que dá!
Você diz que dá na bola, na bola você não dá!

Sou carioca da gema,
Carioca da gema do ovo.

Rebola, bola! Você diz que dá, que dá!
Você diz que dá na bola, na bola você não dá!


Na Bahia Tem

Na Bahia tem, tem, tem, tem…
Coco de vintém, ô Ia-iá,
Na Bahia tem!

Na beira da praia,
Na beira da praia,
Eu vou, eu quero ver.
Na beira da praia,
Só me caso com você.

Na beira da praia,
Você diz que não, que não!
Você mesmo há de ser.

Água, tanto deu na pedra,
Que até fez amolecer,
Na beira da praia.


Na Loja do Mestre André

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um pianinho.
Plim, plim, plim, um pianinho!
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

Foi na loja do Mestre André

Que eu comprei um violão.
Dão, dão, dão, um violão!
Plim, plim, plim, um pianinho!
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei uma flautinha.
Flá, flá, flá, uma flautinha!
Dão, dão, dão, um violão!
Plim, plim, plim, um pianinho!

Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um tamborzinho.
Dum, dum, dum, um tamborzinho!
Flá, flá, flá, uma flautinha!
Dão, dão, dão, um violão!
Plim, plim, plim, um pianinho!

Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!


O Cravo e a Rosa

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada.
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.

O cravo ficou doente
E a rosa foi visitar.
O cravo teve um desmaio
E a rosa pôs-se a chorar.

A rosa fez serenata.
O cravo foi espiar.
E as flores fizeram festa
Porque eles vão se casar.


O Sapo Não Lava o Pé

O sapo não lava o pé.
Não lava porque não quer.
Ele mora lá na lagoa,
E não lava o pé
Porque não quer.
Mas que chulé!


Peixe Vivo

Como pode o peixo vivo
Viver fora da água fria?
Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria?

Como poderei viver?
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia?
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia?

Os pastores desta aldeia
Já me fazem zombaria.
Os pastores desta aldeia
Já me fazem zombaria.

Por me verem assim chorando,
Por me verem assim chorando,
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia.
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia.


Pezinho

Ai bota aqui,
Ai bota aqui o seu pezinho!
Seu pezinho bem juntinho com o meu!
E depois não vá dizer
Que você se arrependeu!


Pirulito que Bate, Bate

Pirulito que bate, bate!
Pirulito que já bateu.
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.

Pirulito que bate, bate!
Pirulito que já bateu.
A menina que eu gostava
Não gostava como eu.


Pombinha Branca

Pombinha branca, o que está fazendo?
Lavando roupa pro casamento.
Vou me lavar, vou me secar.
Vou pra janela pra namorar.

Passou um moço de terno branco,
Chapéu de lado. Meu namorado.
Mandei entrar, mandei sentar.
Cuspiu no chão, limpa aí seu porcalhão!


Que é de Valentim?

Que é de Valentim? Valentim Trás-trás.
Que é de Valentim? É um bom rapaz.
Que é de Valentim? Valentim sou eu!
Deixa a moreninha, que esse par é meu!


Quem Me Ensinou a Nadar

Quem me ensinou a nadar,
Quem me ensinou a nadar,

Foi, foi, marinheiro.
Foram os peixinhos do mar.
Foi, foi, marinheiro.
Foram os peixinhos do mar.


Roda Pião

O pião entrou na roda, ó pião!
Roda pião, bambeia pião!
Sapateia no terreiro, ó pião!
Mostra a tua figura, ó pião!
Faça uma cortesia, ó pião!
Atira a tua fieira, ó pião!
Entrega o chapéu ao outro, ó pião!


Samba, Lelê!

Samba, Lelê tá doente.
Tá com a cabeça quebrada.
Samba, Lelê precisava
Era de umas boas palmadas!

Samba, samba, samba, ô Lelê!
Samba, samba, samba, ô Lalá!
Samba, samba, samba, ô Lelê!
Pisa na barra da saia, ô Lalá!

Samba, Lelê tá doente.
Tá com a cabeça quebrada.
Samba, Lelê precisava
É de umas boas palmadas!

Samba, samba, samba, ô Lelê!
Samba, samba, samba, ô Lalá!
Samba, samba, samba, ô Lelê!
Pisa na barra da saia, ô Lalá!


Sapo-Cururu

Sapo-Cururu
Na beira do rio.
Quando o sapo canta,
Ó maninha,
É que está com frio.

A mulher do sapo
Deve estar lá dentro
Fazendo rendinha,
Ó maninha,
Para o casamento.


Se Essa Rua Fosse Minha

Se essa rua…
Se essa rua fosse minha,
Eu mandava…
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas,
Com pedrinhas de brilhante
Para o meu…
Para o meu amor passar.

Nessa rua…
Nessa rua tem um bosque
Que se chama…
Que se chama solidão.
Dentro dele…
Dentro dele mora um anjo
Que roubou…
Que roubou meu coração.

Se eu roubei…
Se eu roubei teu coração,
Tu roubaste…
Tu roubaste o meu também.
Se eu roubei…
Se eu roubei teu coração,
Foi porque…
Foi porque te quero bem.


Teresinha de Jesus

Terezinha de Jesus deu uma queda,
Foi ao chão.
Acudiram três cavalheiros.
Todos de chapéu na mão.

O primeiro foi seu pai;
O segundo, seu irmão;
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão.

Terezinha levantou-se,
Levantou-se lá do chão.
E, sorrindo, disse ao noivo:
Eu te dou meu coração!

Da laranja, quero um gomo;
Do limão, quero um pedaço;
Da morena mais bonita,
Quero um beijo e um abraço!


Tutu Marambá

Tutu Marambá, não venhas mais cá,
Que o pai do menino te manda matar!

Durma neném, que a Cuca logo vem.
Papai está na roça e mamãezinha, em Belém.

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar!


Vai Abóbora!

Vai abóbora! Vai melão de melão! Vai melancia!
Vai jambo, sinhá! Vai jambo, sinhá! Vai doce, vai cocadinha!
Quem quiser aprender a dançar, vai na casa do Juquinha.
Ele pula, ele dança, ele faz requebradinha.


Vamos, Maninha

Vamos, Maninha, vamos,
Lá na praia passear!
Vamos ver a barca nova que do céu caiu no mar.

Nossa Senhora está dentro,
Os anjinhos a remar.
Rema, rema, remador, que este barco é do Senhor!

O barquinho já vai longe,
E os anjinhos a remar.
Rema, rema, remador, que este barco é do Senhor!

Rema, rema, remador, que este barco é do Senhor!


Você Gosta de Mim

Você gosta de mim, ó menina!
Eu também de você, ó menina!
Vou pedir a seu pai, ó menina,
Para casar com você, ó menina!

Se ele disser que sim, ó menina,
Tratarei dos papéis, ó menina!
Se ele disser que não, ó menina,
Morrerei de paixão!